segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A marca que deixamos nas pessoas


Acredito que todos já tenham lido em algum momento da vida esse texto, mas ele é tão lindo, tão maravilhoso que vale a pena ler de novo.

Desconheço o autor!

Quando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossa vizinhança. Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cômoda da sala. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinado enquanto minha mãe falava com alguém. Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoa legal. O nome dela era "Uma informação, por favor," e não havia nada que ela não soubesse. " Uma informação por favor" poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa. Minha primeira experiência pessoal com esse "gênio fantástico" veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem mexendo na caixa de ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo. A dor era terrível, mas não adiantaria chorar, já que não tinha ninguém em casa para me socorrer. Eu andava atônito pela casa, chupando o dedo dolorido, até que pensei: "O telefone!" Rapidamente fui até o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente à cômoda da sala.

Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei firmemente junto ao ouvido.
Alguém atendeu e eu disse: "Uma informação, por favor". Ouvi uns dois ou três chiquês e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido: - "Informações". - "Eu machuquei meu dedo...", disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência. - "A sua mãe não está em casa?", ela perguntou. - "Não. Não tem ninguém aqui comigo agora...", eu soluçava. - "Está sangrando?" - "Não" respondi. "Eu machuquei o dedo com o martelo, mas ta doendo..." - "Você consegue abrir o congelador?", ela perguntou. Eu respondi que sim. - "Então pegue um cubo de gelo e passe suavemente no seu dedo", disse a voz.

Depois daquele dia, eu ligava para "Uma informação, por favor" por qualquer motivo.

Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava a Filadélfia. Ela me ajudou com os exercícios de matemática. Ela me ensinou que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.

Então, um dia, meu canário, morreu. Eu liguei para "Uma informação, por favor" e contei o ocorrido. Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se diz para uma criança que está crescendo. Mas eu estava inconsolável. Eu perguntava: "Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente trazendo tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola?".

Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente: "Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também..." De alguma maneira, depois disso eu me senti bem melhor.

No outro dia, lá estava eu de novo.

- "Informações.", disse a voz já tão familiar. - "Você sabe como se escreve 'exceção'?" Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacifico.

Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga. " Uma informação por favor" pertencia àquele velho aparelho telefônico preto e eu não sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho que ficava na nova cômoda da nova sala.

Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam da minha memória. Freqüentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo.

Hoje eu entendo como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um menininho. Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escala em Seattle. Eu teria mais ou menos uma hora entre os dois vôos. Resolvi falar ao telefone com minha irmã, que morava lá, por alguns minutos.

Então, sem nem mesmo sentir, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi: " Uma informação por favor." Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo: "Informações." Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando: "Você sabe como se escreve `exceção`?"

Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave: "Eu acho que o seu dedo já melhorou Paul." Eu ri. "Então, é você mesma!", eu disse. "Você não imagina como você era importante para mim naquele tempo." "Eu imagino", ela disse.

- "E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias para que você ligasse."

Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã. - "É claro!", ela respondeu. "Venha até aqui e peça para chamar a Sally.

Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: "Informações." Eu pedi para chamar a Sally. - "Você é amigo dela?", a voz perguntou. - "Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul." - "Eu sinto muito mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas".Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou: - "Espere um pouco... Você disse que o seu nome é Paul?" - "Sim." - "A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse. Eu vou ler pra você."

A mensagem dizia:

"Diga a ele que eu ainda acredito que existam outros mundos onde a gente pode cantar também. Ele vai entender".

Eu agradeci e desliguei. Eu entendi...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


11/02/08 - Hoje Deus resolveu que tinha terminado os dias na terra para minha avó paterna... uma senhorinha iluminada que nos seus quase 90 anos de existência fez a diferença na vida de todos... eu que mal pude desfrutar do seu colo, dos seus agrados de vó, pelas distâncias que a vida muitas vezes impõe... e não estou falando apenas da distância territorial... sempre mantive no meu coração o pouco contato que tivemos... quem sempre me manteve informada a seu respeito era meu irmão por parte de pai... o Giva, um irmão que mora tão longe, mas que esta sempre presente na minha vida e que eu escolheria todos os dias se me fosse dada essa oportunidade...

Mas voltando... hoje Deus levou minha avó... acho que ele estava precisando de alguém ao seu lado que sorrise com os olhos... mesmo o olhar estando tão enrugadinho... e justo hoje, voltando prá casa, chorando, arrasanda, brigando com a vida, pois me sentia injustiçada por não ter convivido o suficiente com ela... Deus me provou que milagres acontecem todos os dias.

Não sei de onde surgiu um homem que colocou uma arma na minha nuca e anunciou um assalto, que tinha saido ontem da cadeia e não tinha nada a perder... eu que já estava chorando há uma hora, mal conseguia falar e vi minha vida passar na minha cabeça como num filme... consegui dizer: - PELO AMOR DE DEUS, NÃO FAÇA NADA COMIGO, ACABEI DE PERDER MINHA AVÓ!

Ele me pediu para virar e constatou que eu estava transtornada, com os olhos vermelhos e inchados... me disse: - Siga em frente e não olhe prá tráz se não quiser levar um tiro... não fez nada comigo e não levou nada... não sei como cheguei em casa... mas quando vi meus filhos percebi que de certa forma minha avó tinha me salvado... e Deus estava me dando uma nova chance...

A vida é tão curta, tão fugaz que num momento estamos vivos e no outro, só Deus sabe... Devemos aproveitar para vivê-la da melhor forma possível, da forma mais honesta, porque não sabemos quando estaremos prestando contas ao "PAI".

Que Deus receba minha vovozinha, e que ela possa iluminar a todos como ela iluminou a terra enquanto viva.

Que seu espírito encontre a paz e que ela seja recebida pelos irmãos de luz... peço ainda meu pai, paz e conforto para nós, sua família... que consigamos encarar a morte como uma passagem... afinal, um dia todos nós faremos essa viagem!

Obrigada Deus por encher minha vida de bens tão preciosos, como meus filhos, minha família, meus amigos, saúde, caráter, honestidade entre tantas outras coisas!

"A morte nos ensina a transitoriedade de todas as coisas." (Leo Buscaglia)