Desconheço o Autor!!!

"Um dia, ele, deitado ao meu lado na cama, virou para mim e disse: "Estou indo embora." E foi.
Um dia, eu, deitada ao lado dele na cama, virei para ele e disse: "Estou indo embora." E fui.
Outros dias, não mais estes uns específicos, fomos felizes. Fomos mesmo, com toda a graça e encanto que a felicidade pode ter. Brincamos de desmanchar e de recomeçar. Brincamos e cansamos do jogo. Agora, exaustos, levantamos da cama e seguimos outros rumos. Outros muros.
Ontem, acordei assustada. Uma ausência estranha estava se remoendo dentro de mim. Estranheza fenomenal. Como se tudo, a partir daquele momento, girasse em torno de um não estar, um não existir, um não poder. E eu estava assustada. Queria poder pegar o telefone e implorar para que ele voltasse para mim. Mas não podíamos mais fazer isso. Éramos ausência, sim, paciência. Aprendamos a lidar com isso!
Amanhã, ele vai aparecer na minha porta. Tenho certeza disto. E, delicadamente, pedirá para entrar. Não terei mais tempo para os seus lamentos. Não terei mais duas taças de vinho para brindarmos o que não sabemos nomear. Ele vai querer ficar, mesmo assim. Eu vou querer que ele fique, mesmo pedindo-lhe para partir. Estaremos os dois, nus, deitados na mesma cama da despedida. Estaremos afoitos por um recomeço que não existe. Não, não existe.
Aquela menina na estrada pede passagem novamente e fingimos não escutar seu pedido. Em outros tempos, juntos, daríamos as mãos para ela e a ajudaríamos a subir os degraus do inconsciente irriquieto que a dominava imperceptivelmente.
Aquele menino parado no tempo pede carinho, mas já estamos cansados demais para acariciá-lo. Já foi o tempo em que faríamos isso com o maior prazer do mundo. Agora, é melhor deixá-lo quieto, sozinho, parado. Como deve ser.
Aqueles dois sem sóis, sem seres, sem sonhos, entram em cena. Sem cama. Sem casa. Sem casca. Entram na cena que não construiram e absorvem os nós inexatos do não saber por onde ir, nem por onde começar.
Era para ser para sempre. Sempre?! Que inconstância, meu Deus, que cansaço.
"Precisamos dormir um pouco". Ele diz. "É, precisamos dormir um pouco". Ela responde.
Viram-se de lado e dormem, de mãos dadas, na cama".
Um dia, eu, deitada ao lado dele na cama, virei para ele e disse: "Estou indo embora." E fui.
Outros dias, não mais estes uns específicos, fomos felizes. Fomos mesmo, com toda a graça e encanto que a felicidade pode ter. Brincamos de desmanchar e de recomeçar. Brincamos e cansamos do jogo. Agora, exaustos, levantamos da cama e seguimos outros rumos. Outros muros.
Ontem, acordei assustada. Uma ausência estranha estava se remoendo dentro de mim. Estranheza fenomenal. Como se tudo, a partir daquele momento, girasse em torno de um não estar, um não existir, um não poder. E eu estava assustada. Queria poder pegar o telefone e implorar para que ele voltasse para mim. Mas não podíamos mais fazer isso. Éramos ausência, sim, paciência. Aprendamos a lidar com isso!
Amanhã, ele vai aparecer na minha porta. Tenho certeza disto. E, delicadamente, pedirá para entrar. Não terei mais tempo para os seus lamentos. Não terei mais duas taças de vinho para brindarmos o que não sabemos nomear. Ele vai querer ficar, mesmo assim. Eu vou querer que ele fique, mesmo pedindo-lhe para partir. Estaremos os dois, nus, deitados na mesma cama da despedida. Estaremos afoitos por um recomeço que não existe. Não, não existe.
Aquela menina na estrada pede passagem novamente e fingimos não escutar seu pedido. Em outros tempos, juntos, daríamos as mãos para ela e a ajudaríamos a subir os degraus do inconsciente irriquieto que a dominava imperceptivelmente.
Aquele menino parado no tempo pede carinho, mas já estamos cansados demais para acariciá-lo. Já foi o tempo em que faríamos isso com o maior prazer do mundo. Agora, é melhor deixá-lo quieto, sozinho, parado. Como deve ser.
Aqueles dois sem sóis, sem seres, sem sonhos, entram em cena. Sem cama. Sem casa. Sem casca. Entram na cena que não construiram e absorvem os nós inexatos do não saber por onde ir, nem por onde começar.
Era para ser para sempre. Sempre?! Que inconstância, meu Deus, que cansaço.
"Precisamos dormir um pouco". Ele diz. "É, precisamos dormir um pouco". Ela responde.
Viram-se de lado e dormem, de mãos dadas, na cama".

Nenhum comentário:
Postar um comentário